Recursos Humanos  

O perfil do empregado e as vantagens de ser vinculado
a uma empresa

Segurança, necessidade de vínculo com empregador, de salário todo final de mês, bônus, plano de carreira, enfim, são diversas as vantagens que levam as pessoas a serem colaboradoras fixas de uma empresa, ao invés de ter o seu próprio negócio. No entanto, mesmo com tantos pontos positivos, muitos ainda têm o sonho de ser empregador, abrir um negócio próprio e não trabalhar mais para os outros. Afinal, existe um perfil de empregado? Por que tantas pessoas dizem que não nasceram pra receber ordens? Como lidar com essa insatisfação?

São diversos fatores que podem explicar a insatisfação de um profissional numa empresa. Para Priscila Azevedo, coordenadora do setor de Carreiras da Veris Faculdades, do Grupo Ibmec Educacional, em muitos casos, a infelicidade pode partir de uma quebra de contrato, ou seja, quando a pessoa é contratada, mas não encontra as condições, estrutura ou bonificação acordadas no momento da entrevista.

“No entanto, acredito sim que há um perfil para o empregado. Gosto de usar como referência o Inventário de Âncoras de Carreira, de Edgar Schein (psicólogo social), que ajuda a identificar o perfil do profissional e motivo pelo qual ele pode estar infeliz”, explica Priscila, “por exemplo, um perfil que traz a infelicidade é quando o empregado é altamente empreendedor, e não consegue usar essa competência de maneira intraempreendedora, ou seja, para se desenvolver dentro da empresa. Ele precisa ser dono da empresa, ser reconhecido por isso, e ter o desafio de criar algo do zero, fazer crescer, e acumular patrimônio e bens em cima disso. Em outras vezes, há conflitos porque a pessoa pode ter filosofias que não casam com o que a empresa quer, e isso gera uma insatisfação grande”.

Segundo Roberto Rinaldi, sócio-diretor da ProBusiness, consultoria de desenvolvimento organizacional, palestrante e escritor, pesquisas feitas no ambiente de trabalho no mundo todo mostram que praticamente metade das pessoas é insatisfeita com o que faz. “Isso se deve principalmente ao desalinhamento entre suas atribuições e seus talentos, ou a fatores culturais, como verificamos no Brasil, onde as pessoas acreditam que bom é não ter chefe e daí poder ‘mandar no próprio nariz’. Com certeza, se as pessoas pudessem trabalhar no que tem mais facilidade, ou mais paixão, ou pelo menos sentindo-se mais conectadas com os resultados de sua atuação para realizar algo de valor no mundo, isso traria mais significado para as atividades que ocupam a maior parte do seu dia”.

Ser chefe pode ser um grande engano, possivelmente por ignorância. Como explica Roberto, primeiramente, engana-se quem acredita que terá mais tempo ou menos perturbação, já que as responsabilidades irão aumentar e, inicialmente, falta estrutura nos empreendimentos. Além disso, o sócio-diretor da ProBusiness destaca que há cada vez menos espaço para chefia, já que vivemos num tempo em que as pessoas têm escolhas e estão menos inclinadas a obedecer; lidar com elas exige perfil e conhecimento, para evitar situações conflitantes, improdutivas e desgastantes.

Além de acreditar que trabalhará menos e haver a sedução da cultura moderna, que prega a independência, os profissionais atribuem a vontade de ter o negócio próprio à falta de emprego e à possibilidade crescente de se empreender com menos recursos, graças à tecnologia e a era dos serviços em que vivemos.

Mas, como lembra Priscila, ser empreendedor envolve muitos riscos, e para corrê-los é preciso que a pessoa tenha o perfil e viva em função desse risco. “Mas existem muitas pessoas que não têm o espírito de empreendedor aguçado, estão insatisfeitas na empresa, e acham que abrir o próprio negócio é uma saída. Isso pode ser uma armadilha. O profissional terá que fazer a sua empresa dar certo, e isso dependerá só dele. Não tem salário no final do mês para poder pagar as contas fixas e sustentar família, por exemplo. É muito difícil partir para o empreendedorismo. Por isso que muitas microempresas não dão certo”.

Os benefícios de ser empregado são muitos. Entre eles estão a condição de focar em compromissos definidos, sem ter que se dividir em vários papéis; a garantia do salário no final do mês; na maioria das vezes, um plano de carreira que pode estimular o desenvolvimento profissional; a disponibilidade de uma estrutura que apóia, de várias maneiras, a atuação da pessoa, potencializando a capacidade de realizar; poder conviver com outros profissionais que proporcionarão trocas de experiências; planejamento financeiro, já que além do salário certo, há 13º, PLR, entre outros benefícios; a existência de um modelo de negócio que pode já ter comprovado sua eficácia no mercado; a possibilidade de exposição e interação com outras empresas e oportunidades no mercado de trabalho.

“Quando o profissional parte para o empreendedorismo, não tem essas garantias. Vive como se fosse uma montanha-russa, desce e não sabe o que vai acontecer; tudo gira em função da sua luta. Agora, em uma empresa, não. Ela já está estruturada e o colaborador precisa fazer sua parte pra conseguir o resultado no final do mês”, ressalta Priscila.

Entretanto, se o profissional está desanimado com o seu emprego, carreira ou empresa, é possível reverter esse quadro. Antes de tudo, ele deve entender se a sua infelicidade é com a sua própria profissão. Se sim, Priscila aconselha a repensar a carreira e traçar estratégias para fazer uma transição para trabalhar naquilo que agrade a pessoa. Já se o problema for os valores dessa empresa, há a possibilidade do profissional procurar outro lugar que o agrade mais, e fazer isso diversas vezes, até encontrar a empresa que tenha o seu perfil.

“Pode ser que, nessa reflexão honesta, seja muito útil contar com as impressões de quem lhe conhece de perto, e você venha a descobrir que precisa de mudança. Afinal, mais do que um emprego, precisamos encontrar a nossa vocação, ouvindo atentamente nossa voz interior, aquilo que somos autenticamente, pois podemos utilizar melhor os nossos talentos para realizar algo realmente significativo”, aconselha Roberto, “vale a pena prestar atenção na história de sua vida, em quem você era, e o que fez que lhe trouxe satisfação e reconhecimento no passado, ou até o que lhe traz gratificação pessoal fora da empresa. Boa parte de nossos problemas na profissão decorrem de não nos conhecermos bem, e daí procuramos desempenhar papéis que não combinam conosco”.

Priscila ressalta, ainda, que trabalhar para os outros não envolve cargos de pouco prestígio e que as pessoas estão, cada vez mais, assumindo as suas profissões e vocações. “Cargos de diretores, presidentes, gerentes são, por exemplo, muito prestigiados. É possível ter prestígio de ambos os lados. Mas, mesmo com relação a esses casos, tenho percebido que antes havia o paradigma que todo mundo queria crescer verticalmente, ser gerente , diretor, coordenador, enfim, ter um cargo de liderança. Hoje, começo a perceber que nem todos têm esse mesmo sonho. Às vezes não almejam ser líderes, e sim o especialista, o nome da sua área. As pessoas estão querendo crescer horizontalmente também.”

Fonte: Catho Online

A árdua e gratificante tarefa de ser professor

Existente desde a antiguidade, a profissão de professor é uma das mais antigas que se tem registro. No entanto, um educador que fale para um grupo grande, e não apenas para os seus discípulos, surgiu na modernidade, entre o século XVII e XVIII, com o capitalismo. Nesse período, a profissão deixou de ser veiculada à igreja católica, e outros cidadãos, além dos religiosos, puderam exercê-la. Deste momento até hoje, muita coisa mudou, menos a importância desse profissional para o crescimento, aprendizado, amadurecimento e formação ética de cada um de nós.

Professora há 20 anos, Solange Aparecida de Camargo Feres dá aula de matemática para escolas da rede pública e privada. No decorrer da sua carreira, pôde perceber muitas mudanças, sendo a principal delas a forma como os alunos aprendem. Se antes já era difícil prender a atenção das crianças e adolescentes, hoje, com o advento da tecnologia, a dificuldade tornou-se ainda maior. “Temos que competir com todos os meios de comunicação, e os interesses dos alunos são bem mais diferenciados. Além disso, recebemos na escola um número muito maior de crianças com uma grande diversidade de interesses.”

Por esse motivo, o ensino acompanha as mudanças da sociedade e seria impossível praticá-lo como há 50 anos. Docente da Universidade São Francisco (USF), em Itatiba, SP, e doutora em psicologia educacional, Jussara Cristina Barboza Tortella vê diferenças na profissão em relação a utilização da sala de aula, ao relacionamento professor/aluno e à elaboração de trabalho das atividades que, independente da área que seja, matemática, língua portuguesa, história ou qualquer outra, está muito mais voltada para a busca do conhecimento. “Tínhamos um ensino que trabalhava muito mais a memorização. Atualmente, ele está mais pautado na busca de conhecimento.”

Hoje, para ser professor é preciso fazer um curso de pedagogia ou licenciatura. Com o primeiro, ele poderá atuar na educação infantil e ensino fundamental do primeiro ao quinto ano, ou após um tempo de profissão, ser coordenador pedagógico, diretor de escola ou supervisor de ensino. Com a licenciatura, poderá trabalhar com ensino fundamental II nas áreas específicas, como matemática, geografia, português e assim por diante.

“A função do professor é atuar, basicamente, em sala de aula, e o perfil que queremos, hoje, é de um pesquisador da própria prática e da didática ensinada em sala de aula. Ou seja, uma formação muito mais voltada para a docência, ensino e aprendizagem”, explica Jussara, “além da sala de aula, o pedagogo pode atuar em outras áreas, como em ONGs ou em empresas, onde será contratado para fazer a formação de profissionais.”

Apesar de muitos acharem que ter o domínio do conteúdo é suficiente, para Solange, o pré-requisito básico para quem quer seguir essa carreira é estar disponível para ajudar o outro. A mesma confusão é feita com o gostar ou não de crianças. Segundo Jussara, isso nada tem a ver com possuir o perfil do educador, que é muito mais de um pesquisador com um grande gosto pela leitura, e de uma pessoa policultural, ou seja, com grande repertório cultural e um conhecimento claro da realidade social do país.

Se antes uma das maiores dificuldades era a diferença salarial entre a rede pública e privada, hoje, há outros pontos que pesam mais na balança, independente da escola. “O salário depende muito da instituição. Os da rede pública diferenciam um pouco de cidade pra cidade, e nos municípios menores, por exemplo, os professores das escolas particulares ganham menos do que os das grandes cidades, tudo vai depender do colégio. Entretanto, os problemas de ambas as instituições me parecem muito próximos, e uma das poucas diferenças entre elas, é o acesso a determinadas informações que, às vezes, o aluno de escola pública não tem”, explica Jussara.

A docente da USF completa que, independente da rede, o professor enfrenta duas grandes dificuldades. A primeira delas é a parte didática, já que não é fácil criar atividades significativas que despertem o interesse do aluno em desenvolvê-las. E a outra, está relacionada com as interações interpessoais dentro da sala de aula, ou seja, como o professor pode trabalhar as questões voltadas para a educação de valores e moral. “Esse é um grande desafio. Os professores se queixam por não saberem muito bem como lidar com determinadas questões que surgem no contexto escolar, já que os alunos trazem problemáticas do seu contexto social para a escola.”

Apesar de tudo, ser professor em um país como o Brasil, onde a educação é pouco valorizada e defasada, e os salários, quase sempre, são baixos, não é esse bicho de sete cabeças. “Não é fácil abraçar a docência, mas acho que quem está no contexto, ou seja, aquele professor que acredita naquilo que faz e trabalha não só a questão afetiva ‘eu amo minha profissão’, mas tem consciência do que está fazendo, busca novos procedimentos e soluções para a sua problemática. Para mim, é muito gratificante poder acompanhar o desenvolvimento de outro ser humano e a evolução no seu processo de alfabetização”, relata Jussara.

Veja as vagas de emprego disponíveis no site da Catho Online.

Lei do deficiente assume a maioridade

Está previsto em lei que empresas devem contratar pessoas portadoras de deficiência e, por sinal, esta lei vai fazer 18 anos em 24 de julho. Mesmo prestes a completar a maioridade, empresas ainda encontram muitas dificuldades para cumprirem esta legislação. Por outro lado, os deficientes também esbarram em inúmeros problemas para serem inseridos na sociedade e no mercado de trabalho.

Segundo a vendedora da Fiat Paulimar, Cleide de Souza, “hoje, no mercado de deficientes, as empresas estão admitindo e há muito mais empregos do que mão de obra qualificada, já que existe essa dificuldade de se adequar o deficiente aos cargos vagos.”

Na Catho Online, atualmente, existem quase 4.500 vagas para portadores de deficiência. As áreas com mais vagas são Administrativa, Operacional e Comercial e Vendas. Para Rodrigo Rosso, diretor da Reatech, Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, que aconteceu, em São Paulo, no início de abril, a falta de qualificação de muitos deficientes não é o único empecilho, pois este detalhe está sendo suprido pela capacitação fornecida por ONGs, governos e pelos próprios empresários.

“Existe muita dificuldade ainda hoje, mas essa dificuldade é cada vez menor, já que muitas empresas estão conseguindo alcançar seu número de funcionários para atingir a lei de cotas. Outras ainda não, porque o número é muito grande e esbarram em algumas dificuldades tanto na legislação quanto na capacitação de pessoas com deficiência, no entanto muitas empresas estão oferecendo essa capacitação e o governo também a está oferecendo tanto no âmbito federal, estadual quanto de governos municipais, sendo assim, a capacitação acabou se tornando secundária, pois a escassez desses profissionais esbarra na própria legislação. Muitos deficientes recebem benefícios do governo. A partir do momento que ele volta ao mercado de trabalho, ele perde o direito. E, em vários casos, o benefício é maior que o salário”, explica Rodrigo.

Para a ADD, Associação Desportiva para Deficientes, ONG que promove o desenvolvimento de pessoas com deficiência, a dificuldade das empresas contratarem é real.

“A quantidade de vagas abertas é muito maior que o número de profissionais capacitados. Por isso, nossa ONG também passou a qualificar profissionalmente essas pessoas. Ele precisa recuperar sua auto-estima. Ele precisa ter vontade de sair de casa, querer fazer um curso e vencer as barreiras que as cidades lhes impõem”, ressalta o coordenador de esportes da ADD Sileno Santos.

Aos poucos, esta realidade está mudando e muitos deficientes já encontram seu lugar no mercado de trabalho.

“Uma vez me candidatei a uma vaga numa multinacional. Passei em todos os testes. Quando fui participar da última etapa com uma psicóloga da empresa, ela me disse que eu não havia sido aprovada. Ela foi categórica e transparente dizendo que era porque eu não andava direito. Fui para casa e chorei. Felizmente, o mundo ficou mais aberto e aprendeu a não nos discriminar tanto. Sei que por tudo que já vivi, com meus 48 anos, estou ajudando a deixar um mundo melhor para os próximos. Hoje, sou mãe, tenho filho e emprego. Tenho certeza que tudo valeu a pena e que há um mundo melhor”, afirma Cleide Souza, vendedora da Fiat Paulimar.

Fonte: Comunicação Catho Online